A violência em São Paulo

Essa semana uma amiga minha grávida de 39 semanas, ficou presa no carro em meio a um tiroteio entre policiais e bandidos. 
Por sorte seu carro era blindado.

Há alguns dias o marido da minha vizinha aqui do prédio foi abordado em seu carro  com uma arma na cabeça. Aqui do lado, há alguns passos da minha casa. Sorte que a filha não estava no banco de trás.

Ano passado um prédio da minha rua sofreu um arrastão onde moradores foram rendidos inclusive crianças e bebês. Quase todos os apartamentos foram revirados e levaram tudo.

Mês passado eu fui ao Extra fazer umas compras e teve um arrastão bem ao meu lado.

A violência em São Paulo é um tema que infelizmente eu não poderia deixar passar em branco. 
Tema que me assusta, me deprime, me revolta, me deixa insegura, e me faz ter muita vontade de me mudar daqui.
Não consigo entender onde isso irá chegar.

Assaltos, roubos, sequestros relâmpagos....isso sempre existiu. 
E de fato nunca foi seguro morar em São Paulo. 
Mas como está agora, virou literalmente uma guerra.
Uma terra de ninguém.

Desde que virei mãe passei a ter medo, muito medo.
Não por mim, mas por elas.
As poucas cenas de assalto a carros que vi em reportagens, onde os bandidos mandam você descer, me apavora. Peço a Deus todos os dias para que proteja a minha família para que nunca tenhamos que passar por isso com 2 crianças junto.

Já há algum tempo não saio mais depois que escurece, não vou em lugares que não possa estacionar o carro dentro do prédio, não ando a pé com elas e só frequento lugares que tenham o mínimo de segurança. Mesmo assim, não é garantia de nada.

Arrastão hoje virou rotina em restaurantes, prédios e  estabelecimentos comercias.

Será que nem mais jantar fora é possível fazer com tranquilidade?

Passear pelas ruas sem ter medo de levar um tiro?

Ficar de prontidão em cada semáforo que paramos com medo da primeira pessoa que se aproxima apontar um revólver?

Ou ficar tensa cada vez que espera o portão da sua garagem abrir?

Que cidade é essa meu Deus ? 

Passei minha infância morando em casa, pulava amarelinha na rua, andava sozinha de bicicleta pela vizinhança, saía para comprar um sorvete quando escutava a buzina do sorveteiro e fui muito a pé para o colégio que ficava a algumas quadras de casa.

Após fazer 18 anos andei muito de carro por aí, não existia insulfilm, celular, e a preocupação de nossos pais era com bebidas alcoolicas e o cuidado com acidentes. 

Hoje não existe mais andar com a janela aberta, não vemos ninguém dentro dos carros pois absolutamente todos os vidros são escuros, e ter um carro blindado está bem longe de ser um artigo de luxo, e sim uma sobrevivência.

Hoje assaltam até pessoas mais humildes, roubam motos, bicicletas, bolsas,  e matam quem for, sem piedade.

No próximo dia 30 acontecerá a passeata contra o fim da violência que faço questão de ajudar a divulgar aqui no blog. Clique aqui .
Vale ressaltar que os organizadores não recomendam levar crianças, pois sempre pode ter algum tipo de tumulto em lugares com muita gente.

Espero que esse seja apenas o primeiro grito e desabafo da população reivindicando mais segurança, para assim podermos viver com dignidade, sem medo, e proporcionando um futuro digno para os nosso filhos.

Que Deus proteja todos nós.

4 comentários:

  1. Parabéns Katia, pelo post com um assunto tao relevante. Eu sinto o mesmo que voce.!!! Moro em Curitiba, que tem fama de ser uma cidade com qualidade de vida, mas na verdade é um lixo violento com indices de violencia que já superaram oficialmente o Rio, desde 2011. Nao tenho coragem de dirigir sozinha com meu bebe na cadeirinha, nao tenho coragem de sair pelas ruas, fico de antena ligada sempre em qualquer lugar que vá, sinceramente, isso nao é vida!!! Minha maior vontade e objetivo agora é de ir embora do Brasil, acho muito louvável que facam campanhas e mobilizacao, mas nao acredito que vá ter jeito. Bjs. Re.

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  2. Ká, gosto e acompanho muito o seu blog! Desde que descobri que estava gávida, até agora que minha filha tem 3 meses.
    Concordo que a violência no Brasil inteiro está cada vez pior. Mas discordo quando você diz que arrastões eram coisas que só aconteciam nas praias do Rio. Cresci no Rio de Janeiro, e, assim como você, morei em casa, pulava amarelinha, ia pé pra escola e ia pra praia quase todo final de semana com minha família. Isso tudo nem tem tanto tempo assim, nos anos 90 mesmo. Me mudei pro interior do estado por uma questão de custos. Rio de Janeiro é uma cidade muito cara, e não tínhamos mais necessidade de morar lá já que meu pai havia se aposentado. Durante esses 17 anos que morei no Rio, eu nunca sofri nada, nem ninguém da minha família.
    No entanto, quando visitei uma cidade pequena de Minas com os meus pais, fomos assaltados, á mão armada.
    Ou seja, assalto e violência são coisas presentes nos quatro cantos do país. Não era uma coisa exclusiva do Rio de Janeiro que foi se espalhando pelo país afora.
    Hoje moro em Niterói com meu marido e minha filha. De fato não é uma cidade 100% segura, assim como qualquer lugar do planeta não vai ser 100% seguro nunca. Mas ainda consigo sair pela manhã com a minha filha para dar uma volta na praia todos os dias.

    Bom, espero que você entenda meu comentário! Como disse, gosto muito de você e do seu trabalho!
    Bjo grande, LuizaG

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  3. Eu ia incluir esse link que mostra como Curitiba superou RJ e Sao Paulo nos indices. Ou seja Curitiba é pior do que SP e Rio!
    http://revistaideias.com.br/ideias/materia/curitiba-manchada-de-sangue
    bjs!

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  4. Maria Thereza Figueiredo26 de junho de 2013 13:30

    Moro no Rio, tenho uma filha de três meses e já decidi, com meu marido, que vou evitar ao máximo pegar o carro sozinha, com ela na cadeirinha.
    Tenho pânico de pensar em um assalto ao meu carro com a minha filha no banco de trás.
    Ainda bem que moro em Laranjeiras, um bairro cheio de boas creches, mesmo que muito caras, e, por isso, vou poder me dar ao luxo de leva-la e busca-la a pé.
    Que Deus proteja nossos filhos!

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